Criacionismo bíblico
O dilúvio no contexto criacionista


Antes de abordarmos esta questão do ponto de vista bíblico, é interessante mencionar que há, do ponto de vista geológico, evidências muito concretas de que a Terra sofreu, no passado, a ação de uma catástrofe causada pela água. Há, nos extratos mais antigos, ao redor de todo o globo, um verdadeiro cemitério de fósseis, com animais e plantas de todos os tipos, misturados, como se tivessem sido levados por uma gigantesca enxurrada.

Fósseis são, na maior parte das vezes, o resultado de animais e plantas que foram subitamente soterrados pela ação da água em sedimentos que depois se transformaram em rocha. Quando descobertos, revelam principalmente os detalhes anatômicos do ser vivo que ali esteve aprisionado, embora os relevos e depressões já não sejam mais os restos daquele organismo, que foram substituídos por rochas em um processo de mineralização.
Admitir um dilúvio global não é ser fundamentalista?

Já a questão de sermos ou não fundamentalistas exige que se refuta um pouco sobre este termo. A palavra "fundamentalista" admite pelo menos dois sentidos distintos. Pejorativamente, refere-se a pessoas que interpretam todo o texto bíblico ao pé da letra. Nesse sentido, criacionistas não são fundamentalistas. Todos cremos que a Bíblia contém partes simbólicas, como os escritos de Daniel, as parábolas de Jesus ou o livro de Apocalipse e que, portanto, não podem ser interpretados ao pé da letra mas à luz de sua simbologia.

De outro modo, esta palavra indica também as pessoas que entendem que as Escrituras representam a revelação do Criador não só acerca das nossas origens mas também do que ainda vai acontecer, com profundos ensinamentos para os nossos dias. Nesse caso, alguns textos são identificados como simbólicos, mas outros são vistos como de natureza narrativa, para nos comunicar de modo pleno o que realmente aconteceu ou ainda há de acontecer. A capacidade de discernimento com que o Criador nos dotou é, nesse caso, o instrumento que nos habilita a distinguir um tipo de texto do outro. Nesse sentido criacionistas sáo fundamentalistas.

Evolucionistas, em geral, procuram ignorar tanto o texto bíblico sobre o dilúvio, como também as evidências geológicas desta catástrofe. "Fosse a história do dilúvio verdadeira" - argumentam eles - "não haveria tempo hábil para que a evolução se processasse outra vez e seria exigir muito do acaso pedir que tudo se repetisse novamente". Além disso, os registros geológicos, paleontológicos e arqueológicos teriam todos sido alterados durante aquele evento, privando-nos de conhecer as particularidades do mundo anterior. Por isso, evolucionistas rejeitam o texto bíblico e evolucionistas teístas procuram reinterpretá-lo de modo a ver, naquela narrativa, um evento de proporções apenas locais.
Que evidências bíblicas temos da universalidade do dilúvio?

Dizem-nos as Escrituras que a Terra estava corrompida e cheia de violência à vista de Deus, mas que Noé achou graça diante do Senhor. Assim, Noé foi instruído a fazer uma arca, para que ele e sua família pudessem escapar da catástrofe que Deus faria vir sobre a Terra.

"Porque estou para derramar águas em dilúvio sobre a terra para consumir TODA carne em que há fôlego de vida debaixo dos céus: TUDO o que há na terra perecerá" (Gen. 6:17).

E o texto bíblico nos diz que, ao terminar de construir a arca, Noé entrou nela com sua família e alguns exemplares de cada uma das espécies ameaçadas, conforme Deus lhe ordenara. E aconteceu que, depois de sete dias, romperam-se as fontes do grande abismo e as comportas dos céus se abriram. Durante quarenta dias e quarenta noites choveu abundantemente.

"Prevaleceram as águas excessivamente sobre a terra e cobriram TODOS os altos montes que havia debaixo do céu. Pereceu TODA carne que se movia sobre a terra, tanto de ave como de animais domésticos e animais selváticos, e de todos os enxames de criaturas que povoam a terra, e todo o homem. TUDO o que tinha fôlego de vida em suas narinas, TUDO o que havia em terra seca, morreu. Assim, foram exterminados TODOS os seres que havia sobre a face da terra, o homem e o animal, os répteis e as aves dos céus, foram extintos da terra; ficou somente Noé e os que com ele estavam na arca." (Gen. 7:19,21-23).

Quem quer que examine este texto, se o fizer isento de preconceito, não poderá se furtar a ver aí as características de uma narrativa. Você pode não acreditar no texto bíblico, mas que ele não permite uma interpretação local do dilúvio, isso é óbvio a partir do seu conteúdo.

Por outro lado, se o dilúvio tivesse sido apenas um evento de proporções locais, restrito a uma região do oriente médio, não teria havido necessidade de se construir uma arca de modo a abrigar Noé, sua família e todos os animais. Bastaria que Deus tivesse ordenado a Noé que se retirasse daquela região, porque uma grande enchente iria ter lugar por ali.

O problema é que muita pouca gente morreria em um episódio dessa natureza. Temos visto, nos últimos anos, grandes alagações em várias partes do mundo, por vezes cobrindo cidades inteiras, mesmo os edifícios mais altos. O resultado, porém, é que poucas pessoas têm morrido nesses acidentes. Os animais com menor mobilidade, esses sim, morrem. Os demais, entretanto, à medida que as águas vão subindo, vão batendo em retirada para outras regiões. Nesse caso, Deus dificilmente teria atingido seu objetivo com este evento.
Qual a importância do dilúvio no contexto cristão?

Jesus Cristo, ao confirmar o caráter global do dilúvio, estabeleceu uma analogia entre esta catástrofe do passado e sua segunda vinda que, sem dúvida alguma, será um evento de natureza universal. Observe suas palavras:

"Mas a respeito daquele dia e hora (da sua volta) ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, senão somente o Pai. Pois assim como foi nos dias de Noé, também será a vinda do Filho do homem. Porquanto, assim como nos dias anteriores ao dilúvio, comiam e bebiam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca e não o perceberam, senão quando veio o dilúvio e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do homem. Portanto, vigiai, porque não sabeis em que dia vem o vosso Senhor" (Mat. 24:36-39,42).

Não há qualquer sombra de dúvida: o dilúvio foi mesmo universal, Contudo, o Apóstolo Pedro vislumbrou que, no futuro, este fato seria posto em dúvida.

"... nos últimos dias, virão escarnecedores com os seus escárnios, andando segundo as próprias paixões, e dizendo: onde está a promessa de sua vinda?porque desde que os pais dormiram, todas as coisas permanecem como desde o princípio da criação" (II Ped. 3:3-4).

Assim como Jesus relacionou sua vinda ao dilúvio, Pedro está simplesmente nos dizendo que, nos últimos dias alguns haveriam de pôr em dúvida a volta de Cristo, e para isso utilizariam o argumento de que desde que o mundo é mundo, nunca houve nenhum evento mágico de proporção global, que desde que os pais dormiram todas as coisas permanecem como desde o princípio, insinuando então que não há razão também para aguardarmos a vinda de Jesus em esplendor e glória. Mas, observe a continuação do discurso de Pedro:

"Porque deliberadamente esquecem que, de longo tempo, houve céus bem como terra, a qual surgiu da água através da palavra de Deus, pelas quais coisas veio a perecer o mundo daquele tempo, AFOGADO EM ÁGUA. Ora, os céus que agora existem, e a terra, pela mesma palavra têm sido entesourados para o fogo, estando reservados para o dia do juízo e destruição dos homens ímpios. Não retarda o Senhor a sua promessa..." (II Ped. 3:5-7).

Realmente não há dúvida! Este texto confirma, de modo contundente, o que já havíamos dito antes a este respeito. O dilúvio e a volta de Cristo são mesmo eventos intimamente relacionados. Leia este último texto outra vez: para reafirmar a volta de Jesus, Pedro antes consolida a história do dilúvio, realçando o fato de que, naquele evento, pereceu o mundo de então, afogado em água.

Mais ainda: o Apóstolo Pedro nos diz que estes assim procedem, negando do dilúvio e aproveitando-se disso para negar a volta de Jesus, não porque dispõem de alguma evidência científica, mas porque deliberadamente se esquecem de que houve mesmo um dilúvio de proporções univeersais no passado. Todo o terceiro capítulo desta segunda epístola de Pedro é uma solene advertência contra os que viriam, no futuro, em nome de uma suposta ciência, negar a verdade das Escrituras, e conclui dizendo:

"Vós, pois, amados, prevenidos como estais de antemão, acautelai-vos; não suceda que, arrastados pelo erro desses insubordinados, descaiais da vossa própria firmeza; antes, crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. A ele seja a glória, tanto agora como no dia eterno." (II Ped. 3:17-18).

A grande verdade é que este mundo foi criado, e não evoluído, que houve mesmo um dilúvio universal, o que nos dá a certeza da volta de Cristo, além de se constituir em um sério obstáculo à teoria da evolução, teísta ou ateísta.

"Porque em seis dias fez o Senhor os céus e a terra, o mar e tudo que neles há, e ao sétimo dia descansou..." (Ex. 20:11).
E as águas do dilúvio? De onde vieram?

O dilúvio foi um evento catastrófico! Para termos uma ideia da dimensão dessa catástrofe, é suficiente nos lembrarmos que a grande explosão da ilha de Krakatoa no século passado, que a reduziu a um sexto do seu tamanho original, foi causada pela água do mar que, em um dia de maré alta, invadiu a boca de um vulcão existente na ilha. Podemos, então, imaginar o que deve ter ocorrido quando todos os vulcões da Terra tiveram água entrando pelas suas bocas. ).

É razoável, portanto, pensar que a Terra tinha uma configuração geográfica muito diferente da que tem hoje, sem montanhas muito altas e sem vales tão profundos, de tal modo que a água existente no planeta poderia ter coberto toda a sua superfície. É razoável pensar que esses imensos vales onde se encontram os oceanos não existiam antes, que a separação dos continentes foi o resultado direto da abertura dessas crateras e que a compressão continental deu origem às cordilheiras e cadeias de montanhas que hoje impedem que as águas cubram novamente o planeta. ).

Dessa realidade nos falou o salmista: "... as águas estavam sobre os montes. À tua repreensão fugiram; à voz do teu trovão puseram-se em retirada. Elevaram-se os montanhas, desceram os vales, até o lugar que lhes determinaste. Limite lhes traçaste, que não ultrapassarão, para que não tornem mais a cobrir toda a terra." (SI. 104:6-9). ).
Referências do autor
O Prof. Christiano P. da Silva Neto é professor universitário, pós-graduado em ciências pela University of London, estando hoje em tempo integral a serviço da ABPC - Associação Brasileira de Pesquisa da Criação, da qual é presidente e fundador. Autor de cinco livros sobre as origens, entre os quais destacam-se Datando a Terra - perspectiva criacionista e Origens - a verdade objetiva dos fatos, o Prof. Christiano tem estado proferindo palestras por todo o país, a convite de igrejas, escolas e universidades.
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