Criacionismo bíblico
Por que dizemos que a evolução conduz ao ateísmo?


Uma das pedras fundamentais da filosofia evolucionista é o naturalismo. Da matéria inanimada ao primeiro ser vivo unicelular, e deste à multiplicidade de formas em que a vida hoje se apresenta, tudo é apenas uma questão de evolução, tudo tem uma causa que pode ser expressa em termos estritamente naturalistas. A seleção natural e as mutações são, por si sós, suficientes para explicar todo o universo, o que inclui também a presença da vida em nosso planeta.

Essa ótica certamente confere ao evolucionismo um caráter, em sua essência, ateísta. Veja, por exemplo, como se expressou o biólogo Julian Huxley quando teve o privilégio de ser o orador principal das festividades de comemoração do centenário da publicação do livro de Darwin, em 1959, na Universidade de Chicago:

"No sistema evolucionista de pensamento não há mais necessidade ou lugar para o sobrenatural. A Terra não foi criada, mas evoluiu. Assim ocorreu com todos os animais e plantas que a povoam, incluindo nossos egos, mente e alma, bem como o cérebro e o corpo. Desse modo evoluiu também a religião. O homem assim evoluído não pode mais se refugiar de sua solidão procurando abrigo nos braços de uma figura de pai divinizada que ele mesmo criou."1

Darwin, na verdade, pretendia apenas explicar a origem das espécies a partir de vida pré-existente. Sua teoria, porém, acabou por transcender os limites da Biologia, disseminando-se por todos os campos do conhecimento. Assim, não foi difícil imaginar que a religião bem poderia ser invenção da mente humana; que o homem é que havia criado o Criador quando, ao emergir de sua forma ancestral, percebeu que estava só em um universo tão fantasticamente grande e sentiu um misto de medo e solidão.

Eis porque afirmamos que a teoria da evolução conduz ao ateísmo e, conseqüentemente, ao materialismo. Observe este mesmo ponto de vista na opinião do evolucionista Francisco Ayala: "A evolução biológica pode, entretanto, ser explicada sem recurso a um Criador, ou a um agente de planejamento externo aos próprios organismos. Não há evidência, também, de qualquer força vital ou energia imanente, dirigindo o processo da evolução para a produção de tipos específicos de organismos."2

Não se iluda: um evolucionista pode até crer em Deus, mas isto é absolutamente desnecessário. Em substituição à crença na existência de um Criador, o sistema evolucionista recorre à crença na existência eterna da matéria e em sua suposta capacidade de se auto-organizar e atingir níveis de organização cada vez mais complexos. Neste contexto, só conta mesmo a evolução!

Vemos que o sistema evolucionista de pensamento nos conduz a um universo auto-suficiente em que leis inatas causam um contínuo desenvolvimento na direção de estruturas mais organizadas. Nele, partículas teriam evoluído naturalmente para elementos, e estes para os mais variados complexos químicos que, a seu tempo, teriam dado origem aos primeiros seres vivos. A partir daí, os organismos vivos teriam se tornado mais e mais complexos, culminando com o aparecimento do homem, o mais refinado produto da evolução.

Isso, obviamente, nos induz a uma visão estritamente materialista do mundo e deveria, por si só, para todos os que crêem no Criador, se constituir em uma boa indicação de que este não é o modelo correto das origens. A falta de um Ser superior provoca, cedo ou tarde, uma contestação sistemática de todos os valores existentes. Absolutos deixam de existir e o fim é o desrespeito à ordem pré-estabelecida.

Na verdade, a teoria da evolução se caracteriza como o mais sutil, agressivo e abrangente ataque à fé cristã. O mais sutil porque, sem sequer falar em um Ser superior, sem abordar questões do plano religioso, nos leva à concepção de que Deus não existe. Ao explicar todas as facetas do universo através de meios naturais, não deixa espaço para o sobrenatural, o que torna a figura do Criador obsoleta.

A agressividade decorre do fato de que o ensino do evolucionismo começa nas escolas de primeiro grau, com crianças que obviamente não têm maturidade para questionar o que lhes está sendo ensinado. Essa ação é também a mais abrangente porque atinge todas as gerações de seres humanos a partir dos bancos escolares.

Criacionistas têm sustentado que, se a teoria da evolução fosse verdadeira, essa pílula, ainda que amarga, teria que ser engolida a todo custo e as primeiras páginas das Escrituras teriam que ser reinterpretadas. Isso, porém, não é necessário porque cientistas criacionistas têm desenvolvido trabalhos que nos conferem absoluta certeza de que o modelo da criação é, de fato, o que realmente explica, com propriedade, todas as particularidades do universo.

É bem possível que, ao relegar a segundo plano questões relativas ao estudo das origens, muitos de nós estejam pensando que esta controvérsia não nos diz respeito. A verdade, porém, é que o que pensamos a nosso respeito, o modo como nos comportamos no presente, bem como o que esperamos do futuro, tudo isso tem muito a ver com o que pensamos acerca de nossas origens.

A teoria da evolução tem conduzido milhões, se não ao ateísmo, pelo menos a um Deus inoperante. Muitos dos problemas que hoje nos afligem são, em grande parte, a conseqüência de uma sociedade inteiramente impregnada da filosofia evolucionista, onde cada geração aprende, desde os primeiros anos da infância, ser o milagre da vida um mero produto do acaso, o Criador apenas um mito e a evolução a única realidade.

Referências bibliográficas

1. Huxley, J., Associated Press Dispatch, Novembro 27, 1959.

2. Ayala, F. J., "Biology as an Autonomous Science", Scientific American, Vol. 56, 1968, p. 213.
Referências do autor
O Prof. Christiano P. da Silva Neto é professor universitário, pós-graduado em ciências pela University of London, estando hoje em tempo integral a serviço da ABPC - Associação Brasileira de Pesquisa da Criação, da qual é presidente e fundador. Autor de cinco livros sobre as origens, entre os quais destacam-se Datando a Terra - perspectiva criacionista e Origens - a verdade objetiva dos fatos, o Prof. Christiano tem estado proferindo palestras por todo o país, a convite de igrejas, escolas e universidades.
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